Há uma chave interpretativa que ajuda a organizar o pensamento e entender o apoio evangélico brasileiro ao sionismo — e ela não começa na política, nem em “Israel”, nem na Bíblia. Começa no desejo. Começa na forma como o desejo contemporâneo foi reorganizado pela promessa. Reduzir esse fenômeno à má-fé ou à ignorância é confortável — e até parcialmente verdadeiro —, mas insuficiente.
A violência contra a mulher começa na ausência de cuidado. Não no sentido moral abstrato, mas na prática cotidiana de não sustentar o funcionamento da vida em comum.
Existe um erro recorrente na forma como parte da opinião pública lê a “cultura” da machosfera - red pill e outros segmentos. Uns tratam como piada de internet, um teatro de ressentidos fazendo barulho em podcast, fóruns e cortes de vídeos. Outros reduzem tudo a um punhado de homens frustrados dizendo absurdos online. Há também quem prefira enquadrar o fenômeno como um nicho excêntrico de “autoajuda masculina”: tosco, exagerado, mas irrelevante. Essa leitura está errada.
Nem tudo cabe em um post. Algumas conversas merecem uma carta.
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